quarta-feira, 7 de outubro de 2026

"LISTA SUJA" DO TRABALHO ESCRAVO


O governo federal incluiu 82 nomes na chamada “lista suja” do trabalho escravo. 
A atualização foi divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego na terça-feira (6). O número representa uma redução de 51,48% em relação à lista publicada em abril. Entre os novos registros, 54 são pessoas físicas e 28 são empresas. Os casos ocorreram entre 2024 e 2026, em 21 estados e no Distrito Federal. Ao todo, 553 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão. Minas Gerais teve o maior número de novos empregadores, com 19 registros. A Bahia aparece em seguida, com oito casos, e Amazonas e Maranhão tiveram seis cada. As atividades mais frequentes envolveram criação de bovinos, serviços domésticos e carvão. Também aparecem produção de café e construção de edifícios entre os setores atingidos. Entre os incluídos está a empresa T. F. Zimpel Ltda., de Taiany França Zimpel que contratou 20 trabalhadores resgatados em uma fazenda de Nova Maringá (MT). Em São Paulo, Boizao Eventos e Churrascaria Marginal do Tietê também foram incluídas. A “lista suja” é atualizada semestralmente pelo Ministério do Trabalho. Só entram empregadores após a conclusão definitiva do processo administrativo. Os nomes permanecem normalmente por dois anos no cadastro.

Nesta edição, 151 empregadores foram retirados após cumprir esse período. Desde 2024, também é possível deixar o cadastro mediante termo de ajustamento de conduta. O acordo exige indenização às vítimas de pelo menos 20 salários mínimos e prevê financiamento de ações de apoio aos trabalhadores resgatados. Criada em 2003, a lista teve sua divulgação suspensa entre 2014 e 2016. Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu sua constitucionalidade. As fiscalizações são coordenadas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho. Participam ainda Polícia Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública. Desde 1995, mais de 70 mil trabalhadores foram resgatados pelo grupo móvel. Mais de R$ 171 milhões em verbas salariais e rescisórias foram assegurados. Denúncias podem ser feitas pelo Sistema Ipê, criado com apoio da Organização Internacional do Trabalho. 

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