O estudo global Education Monitor 2026, realizado pela Ipsos em 31 países, ouviu 23.537 pessoas e revela um cenário de contrastes sobre o futuro dos jovens brasileiros. Embora exista otimismo, persistem desigualdades, insegurança e dúvidas sobre a qualidade da educação. No Brasil, 54% dos entrevistados discordam que jovens de famílias pobres tenham um futuro promissor. Apenas 39% acreditam nessa possibilidade. A pobreza e a desigualdade socioeconômica são apontadas por 43% como os maiores obstáculos enfrentados pela juventude. A estudante Sarah da Silva de Holanda, de 18 anos, afirma que muitos jovens precisam abandonar o sonho de cursar uma faculdade para trabalhar e ajudar em casa. Apesar das dificuldades, 56% dos brasileiros acreditam que a nova geração terá uma vida melhor que a dos pais, acima da média mundial de 48%. Entretanto, 61% consideram que os jovens teriam melhores oportunidades se deixassem o Brasil. É o caso de Olivia Gentil, estudante que pretende cursar Fashion Business nos Estados Unidos ou na Europa, buscando ampliar suas oportunidades profissionais. O professor Roberto Anunciação observa que o diploma perdeu parte de seu valor social, pois já não garante emprego bem remunerado. Segundo ele, as transformações tecnológicas exigem rapidez, atualização e novas qualificações. A preparação oferecida pelas escolas também preocupa: somente 42% consideram que o currículo atual prepara adequadamente os estudantes para as profissões do futuro. Apenas 30% consideram o Brasil seguro para os jovens, enquanto 32% avaliam como seguros os ambientes virtuais.
Sobre tecnologia, 67% apoiam a proibição das redes sociais para menores de 14 anos. Quanto à inteligência artificial nas escolas, 30% defendem a proibição de ferramentas como o ChatGPT, 42% são contrários e 28% não sabem opinar. A avaliação da educação brasileira continua negativa. Embora a aprovação tenha subido para 32%, contra 28% em 2025 e 26% em 2024, 43% classificam o sistema como ruim. Em Singapura, a aprovação chega a 74%. A internacionalista Vanessa Caixeta, que estudou em escolas públicas e particulares, destaca a desigualdade de oportunidades. Segundo ela, estudantes de famílias privilegiadas têm acesso a idiomas, cursos preparatórios e reforço escolar, vantagens que faltam aos alunos da rede pública. O professor Roberto Anunciação ressalta que os países considerados referências educacionais somente avançaram quando transformaram a educação em prioridade nacional. Os resultados do estudo mostram que o futuro da juventude brasileira depende de mudanças estruturais, com redução das desigualdades, mais segurança e modernização do ensino, preparando os estudantes para as exigências do século 21.

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