sábado, 31 de outubro de 2026

JORNAL RUSSO FECHA AS PORTAS FACE A PERSEGUIÇÃO DO GOVERNO


O jornal independente russo Novaia Gazeta anunciou ontem, 30, o encerramento de suas atividades na Rússia, após sofrer pressão do governo de Vladimir Putin. Em comunicado, a publicação afirmou: “Nós fomos mortos”, atribuindo o fechamento a uma campanha coordenada de autoridades e serviços de segurança do Estado. Fundado em 1993, o jornal tornou-se símbolo da liberdade de imprensa na Rússia após o fim da União Soviética. O golpe final foi a declaração do veículo como agente estrangeiro, em setembro, medida que impõe restrições fiscais e operacionais. Na semana passada, a Justiça determinou o despejo da redação de seu histórico prédio, no centro de Moscou. O local abrigava computadores doados pelo ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov e o Museu Anna Politkovskaia. A jornalista Anna Politkovskaia foi assassinada em 2006, em crime atribuído a aliados de Putin, embora o presidente negue envolvimento. Outros cinco jornalistas da publicação também morreram em circunstâncias misteriosas durante investigações críticas ao governo.

O jornal já enfrentava dificuldades desde 2022, quando a invasão da Ucrânia levou o Kremlin a endurecer a censura à imprensa. Leis russas passaram a prever penas de até 15 anos de prisão para notícias consideradas prejudiciais às Forças Armadas. Veículos independentes perderam licenças, e a Novaia Gazeta transferiu sua principal operação para Riga, na Letônia. Na Rússia, permaneceu uma redação reduzida, que divulgava notícias pela internet, inclusive por meio de VPNs para driblar bloqueios. O editor Dmitri Muratov, vencedor do Nobel da Paz de 2021, deixou o cargo em 2023, após também ser declarado agente estrangeiro. Neste ano, a pressão aumentou com a prisão do editor Oleg Roldugin durante a apuração de uma reportagem. O fechamento definitivo foi condenado pelo Comitê Nobel e pela ONU, que classificou o episódio como um golpe devastador. O substituto de Muratov, Serguei Sokolov, afirmou que o jornal foi morto junto com a Constituição russa. A redação desligará seus servidores e deixará o prédio em 9 de novembro, encerrando três décadas de funcionamento no país. A edição digital mantida na Letônia, entretanto, continuará publicando notícias. O Kremlin ainda não comentou o encerramento.



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