A importação de diesel russo pelo Brasil gerou lucros e uma disputa empresarial de quase R$ 4 bilhões. Após as sanções da União Europeia, Moscou redirecionou suas exportações para países como Brasil, China e Turquia. Até agosto, 11% do diesel russo exportado tinha como destino o Brasil. A Rússia tornou-se a principal fornecedora do produto para o mercado brasileiro. O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Em abril, os russos chegaram a responder por 90% das importações brasileiras. Ataques ucranianos a refinarias e um veto russo às exportações reduziram esse fluxo. Em agosto, os Estados Unidos passaram a responder por 74% do diesel importado pelo Brasil. Segundo o governo, cerca de R$ 99 bilhões em diesel russo foram importados durante o período. Um amplo ecossistema empresarial se formou em torno dessas operações. Entre as principais empresas estava a Coral Energy, sediada em Dubai e originária do Azerbaijão. A companhia chegou a controlar cerca de 80% das vendas por meio de subsidiárias e associadas. A Coral foi sancionada por países europeus por supostamente driblar o teto de preços do petróleo russo. Depois, mudou o nome para 2Rivers e iniciou um processo de dissolução de suas operações. A empresa também foi citada em investigações internacionais sobre a distribuição irregular de petróleo russo.
Uma operadora brasileira ligada ao grupo foi incluída em sanções britânicas neste ano. A companhia nega irregularidades e contesta as acusações feitas contra suas operações. No início de 2024, a Coral firmou parceria comercial com a brasileira Dia 33. O acordo previa a divisão dos lucros obtidos com a comercialização do diesel russo. A parceria, porém, foi encerrada poucos meses depois e virou uma disputa judicial. A Dia 33 acusa a Coral de cooptar executivos e utilizar sua estrutura em uma operação paralela. A empresa brasileira pede R$ 138 milhões de indenização na Justiça paulista. Também acusa a antiga parceira de concorrência desleal e de prejudicar sua carteira de clientes. A Justiça encontrou indícios de concorrência desleal e impôs limitações a ações ligadas à Coral que, por sua vez, acusa a Dia 33 de apropriação indevida de uma carga de diesel. A empresa estrangeira chegou a pedir o bloqueio de R$ 133 milhões da rival, mas não conseguiu a liminar. A Dia 33 afirma ainda ter acumulado grandes dívidas trabalhistas e custos com armazenamento de combustível. Empresas do grupo pediram recuperação judicial, mas o pedido foi rejeitado em julho. No Centro Internacional de Arbitragem de Dubai, a Dia 33 cobra US$ 703 milhões, cerca de R$ 3,7 bilhões. A disputa ocorre em meio a outros casos envolvendo fraude tributária e organizações criminosas no comércio de diesel russo.
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