sábado, 3 de outubro de 2026

IMAGEM DOS EUA PIOROU COM TRUMP


Nos 20 meses desde a volta de Donald Trump à Casa Branca, a direita venceu sete eleições presidenciais na América Latina. 
Muitos candidatos adotaram discursos semelhantes aos do presidente americano, criticando a imprensa e o chamado “marxismo cultural”. Apesar disso, a imagem dos Estados Unidos piorou na região desde 2024. Segundo pesquisa do Latinobarómetro, a opinião favorável aos EUA caiu de 73% para 63%. Pela primeira vez, a influência da China é vista de forma mais positiva que a americana. Enquanto 65% consideram positiva a influência chinesa, 57% têm a mesma opinião sobre os EUA. A postura agressiva de Trump em relação à América Latina contribuiu para essa mudança de percepção. Embora 69% aprovem a captura de Nicolás Maduro, apenas 35% acreditam que a intervenção americana beneficiará a Venezuela. Quase dois terços desaprovam a forma como Trump conduz as relações internacionais. Ao mesmo tempo, Nayib Bukele continua sendo a figura política mais admirada na região. O presidente de El Salvador ganhou popularidade ao reduzir fortemente os homicídios por meio de políticas de segurança rigorosas. Seu modelo, porém, também é associado ao enfraquecimento de instituições democráticas. Mesmo assim, muitos latino-americanos defendem medidas semelhantes para combater a criminalidade. Apesar da popularidade de Bukele, metade dos entrevistados ainda acredita na democracia. O apoio à democracia se estabilizou depois da queda registrada em meados da década de 2010.

A insatisfação com o funcionamento das instituições, entretanto, continua elevada. Apenas 22% dizem sentir-se representados pelos parlamentos de seus países. Por outro lado, 55% afirmam que a democracia não funciona sem partidos políticos. A situação econômica também é motivo de preocupação entre os latino-americanos. Somente 15% consideram boa a situação econômica de seus países. A insatisfação ajudou a provocar derrotas eleitorais de diversos governos, principalmente os de esquerda. Mesmo assim, a população continua acreditando que eleições podem promover mudanças. A economia é a principal preocupação regional, mas a segurança lidera em sete países. A nova direita também se beneficia do conservadorismo social existente em grande parte da região. Dois terços são contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à legalização do aborto. Argentina, Chile e Uruguai apresentam posições mais favoráveis a essas questões. A pesquisa mostra ainda baixa expectativa em relação à atuação do Estado. Setenta e três por cento dizem que o Estado fez pouco ou nada por eles nos últimos três anos. As redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação política, superando televisão, rádio e jornais. Apesar dos problemas, 52% acreditam que sua situação pessoal melhorará no próximo ano. 

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