terça-feira, 13 de outubro de 2026

FAZENDEIROS AMEAÇAM INVADIR TERRAS INDÍGENAS NA AMAZÔNIA


Fazendeiros ameaçam invadir terras indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro vença as eleições de 2026, segundo áudios obtidos pela Folha. 
As ameaças envolvem a terra indígena Apyterewa, no Pará, onde vivem os parakanãs, povo de recente contato com não indígenas. O material indica que os invasores pretendem agir no dia do segundo turno, marcado para 25 de outubro. As mensagens mencionam a expectativa de que Flávio Bolsonaro e o governador eleito do Pará, Dr. Daniel, favoreçam os pecuaristas. Os fazendeiros pretendem ocupar a área e construir propriedades rurais dentro do território protegido. A reportagem reuniu oito áudios enviados por WhatsApp a indígenas nos últimos dias. Por razões de segurança, os nomes dos envolvidos e as transcrições das mensagens não foram divulgados. A Folha cruzou os metadados dos arquivos e ouviu investigadores para confirmar sua ligação com a região. As informações chegaram às autoridades federais e foram discutidas pelo Comitê de Desintrusão do governo Lula. Polícia Federal, Ibama, Funai e Ministério dos Povos Indígenas afirmaram que monitoram a situação. O Ministério dos Povos Indígenas anunciou o reforço das ações de segurança para prevenir novas ocupações ilegais. O Ibama também identificou sinais de mobilização em outras regiões amazônicas para retomar atividades de garimpo ilegal. Um agente da Polícia Federal classificou as informações sobre as ameaças aos parakanãs como sólidas e preocupantes. A Apyterewa possui histórico de invasões, violência e desmatamento, especialmente durante o governo Jair Bolsonaro. 

Segundo o Inpe, a área desmatada passou de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019. O desmatamento atingiu o recorde de 102,2 km² em 2022, caindo para 20,6 km² em 2023. Em 2020, o STF determinou a retirada de invasores de terras indígenas, mas a medida não foi cumprida pelo governo Bolsonaro. A operação de desintrusão começou em 2023 e enfrentou reações violentas de fazendeiros. Houve emboscadas contra agentes, destruição de pontes e ataques destinados a impedir a retirada do gado ilegal. Um servidor da Funai foi baleado em 2023, e um colaborador contratado pelo Ibama foi assassinado em 2025. Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a elevar as tensões na região. Investigadores suspeitam que parte dos incêndios recentes tenha sido provocada deliberadamente. Os focos passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês seguinte, segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu. Homologada em 2007, a Apyterewa fica em São Félix do Xingu e ocupa 773 mil hectares. O território abriga mais de mil indígenas parakanãs, cuja condição de recente contato aumenta sua vulnerabilidade. As mensagens relatam maior circulação de motocicletas e caminhonetes nas proximidades da área protegida. Também mencionam a compra de lonas e materiais agrícolas para preparar a invasão. Os indígenas são orientados a evitar locais onde fazendeiros estariam preparando o solo para pastagens e plantações. Algumas mensagens chegam a sugerir que os parakanãs deixem a região. A campanha de Flávio Bolsonaro e o governo estadual foram procurados, mas não apresentaram posicionamento até a publicação. As autoridades federais seguem monitorando as ameaças e reforçando medidas para impedir novas invasões e proteger os indígenas.

 

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