Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tinha pelo menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais, envolvendo 16 processos relacionados a indenizações de usinas de álcool e açúcar. O levantamento consta em relatório do escritório Galdino Advogados, elaborado em 2024. O documento foi posteriormente entregue ao Banco Central durante a fiscalização do Master. Os ativos são conhecidos como direitos creditórios ou pré-precatórios e representavam um dos principais negócios do banco além de dependerem de decisões judiciais. Vorcaro comprava direitos sobre possíveis indenizações que seriam pagas pela União. O principal caso envolve preços fixados pelo Instituto do Açúcar e do Álcool nos anos 1980. As usinas alegam que foram obrigadas a vender produtos abaixo do custo de produção. Segundo a AGU, existem 178 processos relacionados a essas indenizações. Os precatórios já expedidos no setor somam aproximadamente R$ 47,8 bilhões. Na LDO de 2025, o impacto fiscal estimado chegou a R$ 79,6 bilhões. Decisões favoráveis do STJ e do STF podem gerar grandes lucros aos investidores. Vorcaro adquiria direitos por valores equivalentes a cerca de 20% do montante estimado. Mensagens do banqueiro revelaram relações com integrantes e pessoas ligadas ao Judiciário. Entre os casos está o pagamento mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques que é filho do ministro Kassio Nunes Marques, que negou qualquer relação com Vorcaro. O Master também manteve contrato de R$ 129 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, que não respondeu aos questionamentos.
Vorcaro também mantinha conversas com o ministro Benedito Gonçalves, do STJ. Os episódios levaram investigadores a descrever Vorcaro como “concierge do Judiciário”. O escritório Galdino avaliou a possibilidade e o prazo de recebimento dos direitos creditórios. Não houve, porém, análise sobre a adequação dos preços desses ativos no balanço do banco. Investigadores criticam esse ponto porque os ativos tinham difícil precificação. O Master chegou a registrar R$ 21 bilhões em precatórios e pré-precatórios. Desse total, R$ 13 bilhões estavam escondidos na estrutura de fundos de investimento. Em 2025, o banco vendeu R$ 2,9 bilhões em direitos creditórios. Em uma operação, um pré-precatório valorizou mais de R$ 100 milhões em menos de 24 horas. O caso de uma usina teve valor elevado de R$ 962 milhões para quase R$ 1,1 bilhão. As investigações apontam que esses ativos poderiam ser usados para inflar artificialmente os balanços do Master.
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