sexta-feira, 11 de setembro de 2026

POLÍCIA FEDERAL SUSPEITA QUE TOFFOLI RECEBEU MILHÕES DE VORCARO


A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF, seja proprietário ou beneficiário final do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master, segundo relatório obtido pela revista Piauí. 
O fundo comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos de Toffoli, José Eugenio e José Carlos, ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro (SC). O jornal Folha de São Paulo revelou que Toffoli confirmou fazer parte do quadro societário da empresa e que o Arleen, antes pertencente ao ex-banqueiro, foi comprado pelo empresário Alberto Leite, amigo do ministro, em fevereiro de 2025. Um mês depois, o fundo passou a permitir investimentos no exterior e, em dezembro, transferiu seus ativos para a holding Égide I, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo a PF, diversos elementos indicariam que Toffoli poderia ter sido beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. O relatório aponta ainda possível uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, além de movimentações envolvendo a holding nas Ilhas Virgens Britânicas. A defesa de Toffoli afirma que ele jamais manteve recursos no exterior ou realizou operações, direta ou indiretamente, nas Ilhas Virgens Britânicas. O documento também levanta suspeitas de que Vorcaro tenha influenciado voto de Toffoli em processo sobre precatórios da destilaria Alcídia, do grupo Atvos. A decisão era relevante para o Banco Master, que tinha mais de R$ 10 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro.

Diálogos extraídos do celular de Vorcaro indicariam atuação do diretor jurídico do banco, André Kruschewsky, e do ex-ministro Fábio Faria. Segundo a PF, Kruschewsky aparentava ter acesso ao STF para tentar retirar o processo de pauta. No dia do julgamento, Nunes Marques pediu vista e Toffoli registrou ausência justificada. O julgamento foi retomado posteriormente e terminou em 3 votos a 2 pela tese da Alcídia, com Toffoli votando a favor da empresa e desempatando o resultado. O gabinete do ministro nega qualquer alteração de voto. A PF encaminhou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, porque Toffoli era relator do caso Master e ministros do Supremo dependem de autorização da Corte para serem investigados. O documento foi enviado ao tribunal para as providências cabíveis, que poderiam ser tomadas pelo novo relator do inquérito, André Mendonça que afirmou à Piauí que não ter recebido o relatório. O gabinete de Toffoli disse que o documento foi arquivado, com trânsito em julgado.
Também afirmou que, em fevereiro de 2026, os dez ministros do STF tiveram conhecimento de seu conteúdo e das informações apresentadas por Toffoli. Segundo a nota, a Corte deliberou que não havia motivo para reconhecer suspeição do ministro. 

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