Candidatos de diferentes correntes defendem o uso de IA no SUS para melhorar o atendimento. Entre as ideias estão triagem de pacientes, diagnósticos e organização das filas. Flávio Bolsonaro propõe IA para agilizar consultas, exames e ações de prevenção, enquanto Lula defende uma fila digital única, organizada conforme o risco clínico do paciente, já Renan Santos cita como referência o sistema DoctorSV, implantado em El Salvador. Especialistas apontam grande potencial da tecnologia para ampliar o acesso à saúde.
A IA poderia auxiliar médicos em regiões com poucos especialistas disponíveis. Algoritmos também podem identificar riscos e ajudar na definição de prioridades. Mas pesquisadores alertam que muitas propostas ainda são futuristas e difíceis de executar. Wagner Meira Jr. afirma que a tecnologia funciona melhor em situações específicas e delimitadas e ressalta que apenas reorganizar a fila não resolve a falta de profissionais e serviços. Outro problema é a qualidade dos dados atualmente disponíveis no SUS, porque grande parte dos registros foi criada para fins administrativos e de faturamento. O governo começou a exigir a integração periódica dessas informações em 2025. Mesmo assim, ainda não existe uma base nacional completa sobre as filas do SUS. Para especialistas, dados fragmentados dificultam decisões automatizadas confiáveis. Um dos principais riscos é o chamado falso negativo, que pode deixar pacientes graves sem atendimento. Por isso, decisões clínicas exigem acompanhamento humano, auditoria e rastreabilidade. O uso administrativo da IA, para organizar recursos, é considerado mais imediato. Ela poderia, por exemplo, distribuir consultas disponíveis entre diferentes regiões.
O cardiologista Antonio Ribeiro defende começar com projetos específicos e testes controlados. Um projeto da UFMG usa IA para priorizar exames de ecocardiograma. Antes da adoção ampla, os sistemas precisam demonstrar eficácia e custo-efetividade. Especialistas também destacam a necessidade de integrar os sistemas municipais, estaduais e federais. A IA preditiva é apontada como mais transformadora para o SUS que a IA generativa. O principal obstáculo atualmente é a falta de digitalização e padronização dos dados. El Salvador utiliza o DoctorSV para consultas, exames, diagnósticos e tratamentos. Pesquisadores, porém, alertam que o modelo não pode ser simplesmente reproduzido no Brasil. O SUS atende uma população muito maior e possui estrutura e necessidades diferentes. Também existem preocupações sobre soberania, privacidade e proteção dos dados dos pacientes. Especialistas defendem desenvolvimento gradual, testes, controle humano e segurança das informações.
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