Dois homens deportados pelos Estados Unidos para a Guiné Equatorial relatam ter sido espancados por policiais, quando afirmam que foram encapuzados, amarrados e empurrados escada abaixo em um hotel. O local abriga 29 imigrantes de diferentes países, mantidos por tempo indeterminado. Testemunhas e advogados dizem que as agressões buscavam impedir denúncias sobre as condições do hotel. O prédio, localizado nos arredores de Malabo, funciona na prática como uma prisão e os deportados não possuem documentos ou status legal para viver e trabalhar no país. A Guiné Equatorial é apontada pelo Departamento de Estado dos EUA por violações de direitos humanos. Entre elas estão tortura e prisões arbitrárias, segundo o governo americano. Especialistas já haviam alertado para os riscos de deportações para países autoritários, mas os Estados Unidos passaram a enviar imigrantes para países terceiros que aceitam recebê-los. Muitos deles não podem ser enviados aos países de origem devido ao risco de perseguição ou tortura. A administração Trump encerrou a política que permitia a permanência de vários desses imigrantes nos EUA. No Hotel Bamy, policiais armados fazem a segurança durante todo o dia. Deportados relatam ameaças, intimidações e agressões frequentes por parte dos guardas. Em 11 de setembro, Ahmed Soliman e Samson Birhane foram espancados e presos. Segundo testemunhas, os policiais procuravam celulares usados para denunciar os maus-tratos. Os imigrantes também relatam falta de água, alimentação adequada e assistência médica. Quartos foram revistados em busca de telefones celulares, segundo os deportados.
Os dois homens foram presos sob alegação de envolvimento na quebra de um espelho. Advogados afirmam que a prisão teria sido uma retaliação pelas denúncias de maus-tratos. Eles foram levados a uma prisão local e ficaram incomunicáveis por dois dias. Posteriormente, os dois retornaram ao sistema de detenção, com hematomas pelo corpo. Outros deportados também relataram ameaças de morte e agressões policiais no hotel. Em julho, policiais teriam invadido quartos e ameaçado os imigrantes com armas. Um vídeo mostra um funcionário dizendo a um deportado que poderia voltar ao país ou ir para a prisão. As Nações Unidas já haviam pedido acesso a atendimento médico e itens básicos no hotel. Advogados afirmam ter encontrado pessoas com problemas graves de saúde e ausência de medicamentos. Soliman vivia nos EUA desde os três anos e perdeu o green card após condenação criminal. Birhane chegou como refugiado aos 13 anos e não poderia ser enviado à Eritreia por risco de tortura. O caso expõe os problemas e riscos dos acordos de deportação para terceiros países.
Nenhum comentário:
Postar um comentário