domingo, 20 de setembro de 2026

CRISE QUE ENVOLVEU O STF

As eleições brasileiras de 2026 entram na reta decisiva em meio à forte polarização política. 
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e o segundo, se houver, para 25 de outubro. A disputa presidencial concentra grande parte da atenção dos eleitores, das campanhas e do mundo. O presidente Donald Trump demonstra interesse e pugna pa
ra que a direita, sob a liderança de Flávio Bolsonaro tome o poder do presidente Lula que também é candidato. As pesquisas mostram acirrada disputa entre Lula e Flávio, figurando o presidente com pequena vantagem, que os institutos classificam de empate técnico, dentro da margem de erro. Também no segundo turno a disputa voto a voto permanece. Bem verdade que os números representam o momento da pesquisa e não constituem previsão do resultado eleitoral. Além de Lula e Flávio apresentam-se como candidatos Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Outro dado relevante é a elevada rejeição dos dois principais candidatos. Segundo o Datafolha, 47% afirmam que não votariam de jeito nenhum em Lula e o mesmo percentual rejeitam Flávio, caracterizando a polarização.

Por outro lado, a campanha é influenciada pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal. Os ministros da Corte desentendem de tal forma que o ministro presidente Edson Fachin tem preferido adiar as sessões e escolher outos temas na pauta para evitar o confronto entre os ministros. Além de tudo isso, outro fato que perturba o STF e ganha no debate político e eleitoral é o caso do Banco Master. Lula e Flávio associam o adversário como causador da crise. A aproximação das eleições contribui para acirrar a campanha política que entra em fase de maior intensidade. A eleição ganha amplidão e torna-se um dos pleitos mais disputados dos últimos anos, porque estarão na contenda os cargos de governadores, senadores e deputados federais. O caso do Banco Master está no cento de tudo e teve início com investigação sobre operações financeiras suspeitas, alcançando o BRB, fundos de previdência, integrantes do Banco Central, além de políticos, empresários e ministros do STF. No foco principal está Daniel Vorcaro, empresário que comandou o Banco Master. Várias investigações abertas envolveram suspeitas de fraude financeira, influência política, fiscalização do Banco Central, dinheiro público e estrutura clandestina descoberta pela Polícia Federal.

Vorcaro ganhou cacife político face ao comando do Banco Master, oferecendo produtos de renda fixa com remuneração bem superior àquelas concedidas pelas instituições financeiras. Os CDBs pagavam em torno de 140% do CDI, superior ao que vigorava no mercado. Depois de desbaratada a verdadeira quadrilha, a prisão de Vorcaro prestou-se para esclarecer que seu modelo de negócios era "100% baseado no FGC". Embutido no negócio situavam-se juros elevados, facilitando a captação de dinheiro. Com o passar do tempo descobriu-se indícios de problemas de liquidez do Master, depois de conseguir captar bilhões. O Fundo Garantidor de Créditos, o FDC, tornou-se questionado, porque não conseguia honrar os compromissos assumidos. Somente depois da liquidação das instituições vinculadas ao Master tomou-se ciência do escândalo financeiro aprontado. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal entrou na artimanha, com transferência de R$ 12,2 bilhões ao Master. Daí em diante apareceram os escândalos e Vorcaro terminou sendo preso. Mas o novelo prossegue e a cada dia descobre-se mais uma embrulhada.     

Salvador, 20 de setembro de 2026.

Antonio Pessoa Cardoso
                         Pessoa Cardoso Advogados.                          
     


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