quinta-feira, 17 de setembro de 2026

COLAPSO EM MONTANHA MATA MAIS DE 1.300 PESSOAS


O colapso do topo de uma montanha matou mais de 1.300 pessoas 
e deixou cerca de 6.000 desaparecidos na fronteira entre Nepal e China. O desastre, ocorrido em agosto, combinou fatores climáticos e geológicos, segundo análise científica publicada pelo World Weather Attribution (WWA). Parte de uma geleira e rochas se desprendeu da montanha Langtang Lirung e o gelo se transformou rapidamente em água, inundando o vale do rio Lendi e atingindo comunidades da região. Cientistas afirmam que não houve um único fator desencadeador da tragédia, mas o aquecimento global teve papel importante na instabilidade da montanha. Décadas de aumento das temperaturas aceleraram o derretimento da geleira e elevaram a linha de congelamento em cerca de 100 metros por década. A geleira recuou aproximadamente 300 metros entre 2010 e 2026 e houve degelo do permafrost existente nas fraturas das rochas, reduzindo a resistência das encostas e facilitando a entrada de água. Em julho e agosto, as temperaturas ficaram próximas de 5°C, recorde em 55 anos de registros na região. O WWA estimou aquecimento de cerca de 1,5°C no período em relação aos níveis anteriores à era industrial. Na cadeia montanhosa, o aquecimento anual chega a cerca de 2°C. Um terremoto ocorrido em 2015 também pode ter enfraquecido a encosta. Para os pesquisadores, a área já apresentava vulnerabilidade geológica, agravada pelo recuo da geleira, degelo do permafrost, excesso de água de derretimento e calor excepcional.

Apesar de possuir sistemas de alerta e planos para desastres, o Nepal enfrenta limites para reduzir a exposição aos riscos climáticos. A população cresce em áreas habitáveis restritas, enquanto a economia depende fortemente dos rios. O governo nepalês obteve autorização da ONU para acessar US$ 20 milhões do Fundo de Resposta a Perdas e Danos. O valor, porém, representa apenas uma fração dos custos da recuperação. O fundo enfrenta problemas de financiamento e acumula US$ 2,8 bilhões em pedidos de pequenos países afetados por desastres climáticos. O primeiro-ministro Balendra Shah pretende levar o tema à Assembleia Geral da ONU. 

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