terça-feira, 15 de setembro de 2026

CENTRO DE DETENÇÃO, NA FLÓRIDA, COM ÁREAS DE 1,7 m²


Um centro estadual de detenção de imigrantes na Flórida violou diversas normas federais, segundo relatório do Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna dos EUA. 
A instalação apresentava superlotação e utilizava pequenos compartimentos metálicos para confinar detidos. Os investigadores classificaram a prática como altamente incomum e capaz de oferecer riscos à saúde e à segurança. O relatório analisou a penitenciária conhecida como “Alcatraz dos Jacarés”, fechada em junho após críticas. O local havia se tornado símbolo da política rigorosa do governo Donald Trump contra imigrantes irregulares. Trump chegou a fazer piadas sobre a localização isolada do centro e a presença de jacarés. Cada compartimento metálico tinha cerca de 1,7 m² e era usado como área de “acalmamento”. Os detidos permaneciam nesses espaços por períodos de alguns minutos a quase duas horas. Funcionários afirmaram que alguns presos pediam para ficar nesses compartimentos. Os investigadores, porém, encontraram ao menos um caso em que uma cela foi usada como punição. O detido teria sido colocado no espaço por não obedecer a uma ordem. O relatório concluiu que o uso dessas áreas não seguia padrões de tratamento humanitário e a instalação cumpria normas relacionadas à admissão e ao uso da força, mas descumpria regras sobre atendimento médico, alimentação, higiene e atividades recreativas e não oferecia espaço suficiente para os detidos.

As normas nacionais estabelecem pelo menos 7 m² de área por pessoa. Quando funcionava em capacidade máxima, o centro oferecia apenas 2,6 m² por detido. A penitenciária foi construída rapidamente em julho de 2025, em um aeroporto de treinamento rural. O local ficava entre Miami e Naples e foi criado para apoiar a política de repressão à imigração. As autoridades da Flórida chegaram a instalar uma placa com o nome “Alcatraz dos Jacarés”. Críticos consideraram a iniciativa cruel e desrespeitosa com os imigrantes detidos. A unidade também enfrentou contestações judiciais e críticas sobre suas condições e custos. O funcionamento custava mais de US$ 1 milhão por dia aos cofres estaduais. Entre as despesas estavam o transporte de água por caminhões e o descarte de resíduos. A Divisão de Gerenciamento de Emergências da Flórida administrava a instalação antes do fechamento. O DHS e autoridades estaduais não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. O governador Ron DeSantis também não se manifestou sobre as conclusões do relatório. As autoridades paralisaram o centro em agosto, alegando a aproximação da temporada de furacões. A decisão ocorreu após meses de críticas à estrutura e ao tratamento oferecido aos detidos. O relatório amplia as dúvidas sobre a segurança e a legalidade da política de detenção de imigrantes na Flórida. 

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