terça-feira, 22 de setembro de 2026

ASSESSORA DE FLÁVIO NEGOCIOU REPASSE DE PARA CONDENADO NO CASO MARRIELLE


Investigação da Polícia Federal identificou que uma assessora do senador Flávio Bolsonaro negociou, em 2023, o repasse de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”; Calixto foi condenado neste ano por organização criminosa no processo que apura o assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo a PF, a assessora Maria de Fátima Bezerra Castro convidou Calixto para um evento com Flávio Bolsonaro. A ocasião permitiria que ele cobrasse pessoalmente a liberação das verbas. As informações fazem parte da Operação Emendatio, deflagrada pela PF em julho e a investigação foi autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. O inquérito apura supostos desvios de emendas destinadas a entidades do Rio ligadas aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão. Uma das suspeitas envolve uma emenda de R$ 199 mil destinada por Flávio Bolsonaro. O senador não foi alvo de mandados na operação e as conversas foram encontradas no celular de Calixto, apreendido em março de 2024. A assessora estava identificada no aparelho como “Fafá Flávio Bolsonaro”. As mensagens registram cobranças por verbas entre outubro e novembro de 2023. O Portal da Transparência confirma o repasse de R$ 199 mil ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) e a transferência ocorreu em 29 de novembro de 2023. Calixto pediu novos repasses no ano seguinte, mas não há registro de outras transferências. A investigação aponta que Maria de Fátima sugeriu que ele procurasse Flávio pessoalmente.

Segundo a PF, a assessora também pediu quatro ingressos para um camarote no Sambódromo.
Os ingressos seriam para o desfile das campeãs do Carnaval do Rio. Calixto solicitou os bilhetes a um empresário, que os forneceu. A PF aprofundou a investigação após suspeitas sobre os repasses serem divulgadas anteriormente. Auditoria do TCU identificou possível desvio de parte dos recursos destinados ao Ifop. Segundo o documento, valores foram usados para pagar um escritório de advocacia ligado aos próprios donos do instituto. O caso é a segunda investigação recente da PF em que o nome de Flávio Bolsonaro aparece. O senador também é citado em investigação envolvendo Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”. Em nota, Flávio afirmou que a emenda seguiu a legislação e critérios técnicos do Ministério do Esporte. Disse ainda que a entidade apresentou notas fiscais e devolveu recursos não utilizados. O senador afirmou que a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária.
Ele não comentou as conversas entre sua assessora e Calixto. A assessora e a defesa de Calixto não responderam aos questionamentos. As defesas dos irmãos Brazão também disseram não ter informações sobre a investigação.

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