sexta-feira, 19 de junho de 2026

TRUMP NÃO OBTEVE ÊXITO BUSCADO NO ACORDO COM IRÃ


Com o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã firmado e seus primeiros detalhes divulgados na quarta-feira (17), cresce entre analistas a avaliação de que Donald Trump encerrou o conflito em posição estratégica menos favorável do que a que tinha no início. Pelo entendimento, Washington aceitou um plano de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã, o fim das sanções e a liberação de ativos congelados. Em troca, Teerã reabrirá o estreito de Hormuz e retomará negociações sobre seu programa nuclear. Especialistas apontam que as concessões superam as feitas no acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015. Para Vinícius Mariano de Carvalho, professor do King's College de Londres, o pacto anterior tinha condições mais vantajosas para os EUA. Segundo ele, Trump tende a priorizar a própria narrativa política ao justificar o acordo. O pesquisador afirma que ainda é cedo para medir os efeitos internos da guerra no Irã, mas considera que o país obteve êxito militar ao resistir a ataques diretos americanos e demonstrar capacidade de controlar o estreito de Hormuz.

Carvalho destaca que Teerã adotou uma estratégia de “defesa de negação”, elevando o custo de uma ofensiva americana por meio do uso de drones e sistemas não tripulados de baixo custo. Segundo ele, a tática tornou arriscado o emprego de grandes meios navais dos EUA, como porta-aviões, diante da possibilidade de ataques massivos. O professor compara o episódio a intervenções anteriores dos EUA no Oriente Médio, como a do Afeganistão, marcadas pela subestimação da capacidade de resistência dos adversários. Sobre o Brasil, Carvalho afirma que a tradição diplomática de neutralidade poderá ser pressionada por impactos globais em comércio, negócios e fluxos de informação, levando o país a assumir posições em futuros conflitos.

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