quarta-feira, 17 de junho de 2026

SUSPEITA DE OCULTAÇÃO DE RECURSOS SUSPEITOS


Uma rede de empresas ligada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria usado familiares, servidores públicos, beneficiários de programas sociais e dinheiro em espécie para ocultar recursos de origem suspeita, segundo investigação da Polícia Federal baseada em relatórios do Coaf. 
Os investigadores apontam um “circuito integrado” de movimentação financeira entre empresas da família Nogueira e do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A principal conexão seria entre a CNLF, ligada ao senador, e a BRGD, controlada por parentes de Vorcaro. Segundo a PF, por esse fluxo teriam sido pagos ao menos R$ 6 milhões ao senador entre 2024 e 2025, período que coincidiu com a crise do Banco Master. A investigação sustenta a hipótese de lavagem de dinheiro por meio de empresas familiares, circulação interna de recursos, uso de dinheiro vivo e interposição de terceiros. A estrutura envolveria a fintech PJBank, que teria transferido R$ 3 milhões ao grupo empresarial do senador entre 2020 e 2025. Depois, os recursos passariam pelas empresas CNLF e CN Motos, sendo misturados a receitas legítimas e redistribuídos dentro do grupo econômico.

Relatórios do Coaf apontam mais de R$ 13 milhões em movimentações consideradas suspeitas. Um dos casos citados envolve um funcionário da CN Motos que realizou R$ 3,5 milhões em depósitos em espécie para a empresa, em períodos próximos a transferências para o senador. A PF também identificou repasses de servidores públicos e pessoas de baixa renda, algumas beneficiárias de programas sociais. Em um caso, uma pessoa que recebia R$ 2 mil mensais transferiu R$ 90 mil à empresa; outra, beneficiária do auxílio emergencial, repassou R$ 143 mil. Os investigadores suspeitam do uso de “laranjas” para ocultar o verdadeiro destino dos recursos. Também foram identificadas transferências da CN Motos para empresas de pequeno porte e operações envolvendo agentes políticos. Procurados, Ciro Nogueira, Daniel Vorcaro, o PJBank e outros citados não haviam se manifestado até a publicação da reportagem. O deputado federal Jadyel Alencar afirmou que um pagamento de R$ 357 mil à empresa se referiu à compra de um avião. 

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