À medida que os brasileiros se familiarizam com chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT e Claude, diminuiu o medo de perder o emprego para a tecnologia. Pesquisa Datafolha realizada em junho mostra que, entre quem conhece IA, 48% têm muito ou algum receio de substituição, contra 56% há um ano. Já os que dizem não ter nenhum medo passaram de 41% para 49%. O uso da IA no trabalho também cresceu, de 17% para 24%, além de aplicações em pesquisas na internet (25%), estudos (17%) e criação de vídeos e imagens (4%). Especialistas avaliam que a queda no temor reflete o fim do entusiasmo inicial com previsões catastróficas, embora a substituição de trabalhadores já comece em algumas áreas. Para eles, a IA tende a eliminar certas funções, mas também pode criar novas oportunidades ao aumentar a produtividade. Estudo do FGV Ibre aponta que quase 30 milhões de brasileiros trabalham em ocupações expostas à IA generativa, o equivalente a 29,6% da população ocupada. Cerca de 5,2 milhões estão no nível mais alto de exposição, principalmente jovens, profissionais mais escolarizados, do Sudeste e do setor de serviços.
Economistas alertam que a classe média pode ser a mais vulnerável no Brasil, por ter menos proteção social diante de possíveis demissões. Funções administrativas e repetitivas tendem a sofrer maior redução, enquanto cargos gerenciais são considerados menos suscetíveis. A pesquisa também mostra ampla rejeição ao uso da IA para decisões importantes: 79% desaprovam seu emprego em contratações e demissões, 68% rejeitam decisões sobre tratamentos médicos e 67% são contra o uso da tecnologia para concessão de crédito.
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