domingo, 21 de junho de 2026

EMPRESA VINCULADA A CIRO NOGUEIRA VENDEU FAZENDA NOS EMIRADOS


Uma empresa ligada ao senador Ciro Nogueira vendeu uma fazenda de R$ 18,7 milhões, em Pedro II (PI), para a offshore Arraf International, sediada nos Emirados Árabes Unidos. A companhia foi criada dois meses antes da compra e tem endereço registrado em uma caixa postal na zona franca de Sharjah, considerada uma das regiões mais opacas do país quanto à divulgação de sócios. A escritura da operação, realizada em março de 2025, foi assinada pelo advogado Gustavo Frazão, que atua em processos de empresas ligadas ao senador e também ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Teresina, administrada por sua mãe, Eliane Nogueira. A Arraf International possui apenas um proprietário, mas a legislação local impede a identificação pública do beneficiário final. Frazão também representa empresas da família Nogueira em ações judiciais. A negociação ocorreu no período em que a Polícia Federal investiga supostos repasses milionários do empresário Daniel Vorcaro ao senador. Segundo a PF, empresas ligadas a Vorcaro transferiram ao menos R$ 6 milhões a Ciro entre 2024 e 2025. Por meio da assessoria, o senador afirmou que nem ele nem familiares possuem empresas no exterior. Ele sustenta que a Fazendas Reunidas Nogueira Lima pertence à sua mãe. No entanto, documentos da PF apontam que Ciro detém 99% do capital da empresa. 

A fazenda possui 2.410 hectares. A reportagem também identificou outras transações entre empresas da família, incluindo a venda de imóveis em São Paulo. Em abril de 2025, a CNLF vendeu um apartamento de R$ 6,5 milhões para uma empresa controlada por uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Ciro Nogueira foi alvo de operação da PF em maio, no âmbito das investigações sobre fraudes atribuídas ao Banco Master. Os investigadores apontam uma relação próxima entre o senador e Daniel Vorcaro, incluindo transferências financeiras, viagens e hospedagens. A PF suspeita que o parlamentar tenha defendido interesses do banco no Congresso, como a proposta que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), conhecida no mercado como “emenda Master”. O senador nega ter recebido recursos ilícitos e afirma que não atuou em benefício do banco.

 

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