O presidente da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC), Brendan Carr, ameaçou revogar licenças de emissoras de TV por causa da cobertura da guerra com o Irã. A declaração faz parte de sua campanha contra o que considera viés nas transmissões. Com o conflito entrando na terceira semana, Carr acusou emissoras de divulgarem “boatos e distorções” e pediu que “corrijam o rumo” antes da renovação das licenças. Segundo ele, as emissoras devem operar em favor do interesse público. Carr compartilhou uma publicação do presidente Donald Trump no Truth Social criticando a cobertura da mídia sobre a guerra. Trump reclamava de uma reportagem do The Wall Street Journal que citava um ataque a aviões de reabastecimento dos EUA na Arábia Saudita, classificando a manchete como “intencionalmente enganosa”. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também criticou a cobertura da CNN sobre o conflito no Oriente Médio. Ele afirmou esperar que a emissora seja controlada pelo bilionário David Ellison, que é dono da Paramount Skydance, empresa que tenta comprar a Warner Bros. Discovery por US$ 111 bilhões, o que colocaria a CNN sob seu controle. Ele também reformulou a liderança da CBS News, indicando jornalistas mais conservadores.
Desde que assumiu a presidência da FCC no governo Trump, Carr vem levantando a possibilidade de cassar licenças de emissoras por decisões de programação. Especialistas, porém, afirmam que o processo é complexo e caro, e que a legislação de comunicações proíbe o governo de usar regulações para censura. Parlamentares democratas e ativistas reagiram às declarações. A senadora Elizabeth Warren classificou a ameaça como “típica de um manual autoritário”. O senador Mark Kelly disse que, em tempos de guerra, é essencial que a imprensa possa noticiar sem interferência do governo. A Fundação para os Direitos Individuais e a Expressão também criticou Carr, afirmando que sua gestão tem sido marcada por tentativas de intimidar a imprensa livre. Críticos dizem que as ações do presidente da FCC seguem um padrão que o coloca como potencial censor nacional. Carr já questionou programas como Jimmy Kimmel Live! e sugeriu investigação sobre The View por conteúdo político. As críticas do governo à imprensa ocorrem em meio à queda do apoio popular à guerra e à tensão com o Irã sobre uma importante rota petrolífera, enquanto os preços globais do petróleo continuam em alta.
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