sábado, 28 de março de 2026

ISRAEL E ESTADOS UNIDOS MATAM CIVIS EM TEERÃ


Uma mãe permanece entre escombros em Resalat, bairro da zona leste de Teerã, esperando o resgate da filha soterrada após um ataque aéreo. “Ela tem medo do escuro”, lamenta. 
Há um mês, o Irã está em guerra com Estados Unidos e Israel, que realizam bombardeios contra alvos ligados ao regime, mas com forte impacto sobre civis. A BBC Eye reuniu imagens, relatos e dados de satélite que mostram ataques a estruturas estatais localizadas em áreas residenciais, com consequências fatais. Um ataque em 9 de março destruiu um prédio ligado à milícia Basij e também edifícios residenciais próximos. Dezenas de famílias viviam no local. Uma mulher e sua filha foram encontradas mortas sob os escombros; o marido sobreviveu. Moradores relatam perdas totais. “Não tenho mais nada”, disse um sobrevivente. Autoridades estimam entre 40 e 50 mortos apenas nesse ataque. Desabrigados foram levados para hotéis. Israel afirmou que o alvo era um prédio militar, mas imagens indicam danos amplos na vizinhança. Explosões múltiplas em segundos e destruição em um raio de até 65 metros foram registradas. Especialistas apontam possível uso de bombas Mark 84, de grande potência, em áreas densamente povoadas. A ONU alerta que esse tipo de armamento representa alto risco para civis. Juristas afirmam que o uso pode ser desproporcional e até ilegal pelo direito internacional.

O caso de Resalat não é isolado. Israel afirma ter lançado mais de 12 mil bombas no Irã. Os EUA dizem ter atingido mais de 9 mil alvos, incluindo instalações militares e policiais. Muitos desses locais ficam em bairros civis movimentados. Outro ataque, em Abbasabad, matou ao menos 20 pessoas, segundo testemunhas. Relatos indicam explosões sucessivas e mortes imediatas de civis nas ruas. A lei internacional exige distinção entre alvos civis e militares e proporcionalidade nos ataques. A agência HRANA estima 1.464 civis mortos no primeiro mês de guerra, incluindo 217 crianças. Moradores criticam a falta de abrigos, evacuação e alertas. “Só se ouve a explosão”, dizem. Sem comunicação clara e com internet limitada, cresce a sensação de insegurança. Apesar de alegarem atingir infraestrutura estatal, EUA e Israel causam efeitos que vão além dos alvos. Em áreas onde instalações militares convivem com casas e escolas, os civis pagam o preço. Para os moradores, restam perdas, medo constante e a sensação de que nenhum lugar é seguro.

 

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