O Brasil passa por uma rápida transformação demográfica, com 34,1 milhões de idosos em 2024, segundo o IBGE, número que dobrou em 20 anos. A inversão da pirâmide etária impõe desafios a um país ainda despreparado para garantir dignidade à população acima de 60 anos. O aumento da expectativa de vida, aliado à queda da natalidade, pressiona o Estado, especialmente a Previdência. Especialistas afirmam que a reforma de 2019 trouxe alívio temporário, mas não resolveu um problema estrutural. Com menos contribuintes e mais beneficiários, o déficit tende a crescer a partir de 2030, exigindo novos ajustes. Entre as alternativas discutidas estão modelos híbridos de financiamento, poupança individual para rendas mais altas, uso controlado de lucros de estatais e impostos progressivos sobre patrimônio, herança, lucros e dividendos, além do combate à informalidade. A saúde é outro ponto crítico.
O envelhecimento amplia os custos do SUS, sobretudo com doenças crônicas. Especialistas defendem investimentos em atenção primária, prevenção, saneamento e saúde da família, que reduzem internações e gastos futuros. O Ministério da Saúde planeja atualizar, em 2026, a Caderneta da Pessoa Idosa e integrar avaliações ao prontuário eletrônico. A segurança pública também preocupa. Em 2025, mais de 28 mil registros de violência contra idosos resultaram em quase mil prisões na Operação Virtude. O governo promete novas ações e reforço da rede de proteção. Apenas em 2025, a Ouvidoria Nacional registrou mais de 172 mil denúncias feitas por idosos. Apesar do cenário, não há políticas amplas para inserção de idosos no mercado de trabalho, embora setores como turismo adaptado, tecnologia assistiva e cuidados pessoais tenham alto potencial de geração de empregos.
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