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terça-feira, 25 de novembro de 2025

TRUMP PODE DERRUBAR MADURO

A incerteza domina venezuelanos-americanos como Liz Rebecca Alarcón, de Doral, na Flórida, diante da possibilidade de o presidente Donald Trump intensificar o uso da força contra a Venezuela. Perguntas sobre o futuro se espalham entre moradores, enquanto os EUA ampliam a pressão militar, com mais forças navais no Caribe e ataques a embarcações criticados como ilegais. Nos últimos dias, a tensão aumentou com sinais de intervenção iminente, seguidos por declarações de Trump sobre possível negociação com Nicolás Maduro. Os venezuelanos que migraram para o sul da Flórida nos últimos 25 anos não concordam sobre o caminho a seguir. As divergências, somadas ao desconforto com as políticas migratórias de Trump, criam divisões na comunidade. Esteban Hernández Ramos defende uma longa ocupação militar dos EUA para derrubar Maduro e desmantelar a cúpula militar. Já Alarcón prefere uma transição pacífica de poder para Edmundo González, mas duvida da estratégia de Trump.

A forte presença venezuelana na região foi impulsionada por crises sob Chávez e Maduro, e muitos foram atraídos por políticos republicanos apoiados por exilados cubanos. Hoje, críticas a Trump são vistas como deslealdade. Luis Fernando Atencio teme que uma intervenção coloque vidas em risco. José Antonio Colina, ex-militar acusado na Venezuela e exilado em Miami, afirma que Maduro só cairá pela força. Ao mesmo tempo, muitos veem contradição entre a pressão contra Maduro e o fim do status legal temporário de centenas de milhares de venezuelanos nos EUA. Em Doral, o clima ficou mais silencioso com deportações e medo crescente. Ativistas questionam como conciliar a ameaça de deportar 660 mil pessoas enquanto se discute atacar o regime. Colina diz ser atacado nas redes por criticar Trump, e o jornalista César Miguel Rondón também relata ofensas por expressar ceticismo. Para ambos, a intolerância dentro da própria comunidade venezuelana se tornou um fenômeno preocupante, que lembra a repressão vivida em seu país de origem. 

O STF NÃO É MAIS AQUELE!

O Supremo Tribunal Federal composto por 11 julgadores, nomeados pelo presidente da República, depois de aprovação do Senado, sofreu no curso do tempo alterações significativas na sua composição. Os ministros não tem mandato fixo e só deixam o cargo, se pedirem, ou depois de completar 75 anos, na denominada aposentadoria compulsória. Recentemente o ministro Barroso, antes de completar a idade da "expulsória", deixou o Supremo, o que não é comum. É que a Corte era integrada por políticos ou juristas respeitáveis e com bastante experiência na aérea de sua atividade. Atualmente, há apenas um magistrado de carreira, ministro Luiz Fux. O Supremo, diferentemente de outras tribunais superiores, no mundo, acumula competência de terceira instância com matérias apropriadas para uma corte constitucional. O Supremo é guardião da Constituição, além de processar e julgar infrações penais comuns de parlamentares e membros do poder executivo. As decisões do Supremo são definitivas e não comportam recurso para outro tribunal, inexistente, no Brasil. Inicialmente tinha a denominação de Supremo Tribunal de Justiça, mas após a proclamação da República recebeu o nome atual de Supremo Tribunal Federal.     

Na ditadura militar, em 1965, o STF passou a ser composto por dezesseis ministros, em inovação eminentemente política. Ainda, no período do militarismo, em 1969, através do Ato Institucional n. 5, o governo aposentou compulsoriamente os ministros Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Victor Nunes Leal. Os abusos de exceção do governo militar causaram aborrecimento e revolta entre os ministros, um dos quais, em 1969, Antônio Gonçalves de Oliveira, renunciou ao cargo, e outro, no ano seguinte, Lafayette de Andrade solicitou aposentadoria. Nesse quadro, o governo Médici alterou mais uma vez o quadro para retornar ao que era antes, ou seja, onze ministros. Todavia, o Congresso foi o responsável pelas novas leis, reforçando o controle de constitucionalidade; além disso, os próprios parlamentares são responsáveis pelo uso e abuso de demandas na área eminentemente política, diminuindo a imagem do Executivo e do Legislativo. A influência do Supremo na vida política agigantou-se de tal forma que ocasionou a denominação de "supremocracia".

As decisões colegiadas da Corte cederam lugar para pronunciamentos monocráticas dos ministros, causando a nomenclatura de "ministrocracia", ou a existência de "onze Supremos". O cenário tornou-se tão incomum ao ponto de a revista The Economist, em maio/2009, caracterizar o Supremo como "o tribunal mais sobrecarregado na Constituição nacional de 1988", além de afirmar que "o Supremo Tribunal Federal recebeu 100 781 casos no ano de 2008. A maior Corte do país descambou para a indicação de novos ministros em bruta vulgaridade para compô-lo com advogados ou políticos, a exemplo de Dias Toffoli, sem experiência alguma, sem vivência e vinculado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Semelhante foi a indicação do ministro Cristiano Zanin, que atuou como advogado de Lula em todos os processos e terminou sendo indicado pelo próprio Lula para a Corte. A respeitabilidade do Supremo decaiu em virtude da própria composição, ministros sem experiência e sem vivência alguma. E o pior é que vão permanecer por décadas, vez que novos para assumir tamanha responsabilidade. 

Salvador, 24 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.         

 

TRIBUNAIS ELEITORAIS USARÃO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Os Tribunais Eleitorais brasileiros já se preparam para o grande desafio das eleições de 2026: o uso malicioso de tecnologia para disseminar desinformação e fraudar o processo eleitoral. Segundo o desembargador Danilo Costa Luiz, do TRE-BA, em entrevista ao JusPod, a Justiça Eleitoral utilizará a própria inteligência artificial como principal ferramenta de combate a esses riscos. O magistrado destaca que a IA já está presente em várias esferas do cotidiano, mas alerta que a mesma tecnologia pode ser usada para fins ilícitos. Por isso, o TSE e os TREs têm investido fortemente em sistemas capazes de identificar e neutralizar ameaças digitais rapidamente. O tema foi destaque no XIII Encontro Nacional do Copeje, realizado em Salvador. Danilo Luiz afirma que o TRE-BA está atento e tem capacitado servidores para lidar com o ambiente digital, reforçando que a punição rápida inibe irregularidades. A estratégia envolve investimento contínuo em tecnologia e qualificação. 

Ele cita como exemplo o robô Janus, criado pelo TRE-BA, que agiliza processos ao atuar 24 horas por dia. A experiência nas eleições de 2024, marcadas pela onda de deepfakes e notícias falsas, serviu de teste. Graças à preparação, o pleito ocorreu com tranquilidade, com decisões rápidas que impediram a disseminação de conteúdos fraudulentos. Além da tecnologia, o desembargador destaca a importância do capital humano e da troca de experiências em eventos como o Copeje, essenciais para antecipar problemas e aprimorar procedimentos. A combinação de inovação, capacitação e colaboração é vista como crucial para proteger a integridade das eleições de 2026. 



SUSPENSOS VOOS PARA VENEZUELA

Pelo menos seis companhias aéreas internacionais suspenderam voos de e para a Venezuela após alerta da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) sobre riscos no espaço aéreo do país. O aviso, emitido na sexta-feira, 21, apontou uma “situação potencialmente perigosa” no espaço aéreo controlado pelo Aeroporto de Maiquetía, que atende Caracas. As autoridades americanas recomendaram cautela devido ao agravamento da segurança e ao aumento da atividade militar ao redor da Venezuela. Segundo a FAA, as ameaças podem representar risco para aeronaves em todas as altitudes, incluindo sobrevoos, pousos, decolagens e operações em solo. O alerta ocorre após meses de reforço militar dos EUA no Caribe, envolvendo o porta-aviões Gerald Ford e outras unidades. Oficialmente, a operação visa combater o narcotráfico, mas aumentou tensões com o governo de Nicolás Maduro, que a vê como tentativa de ataque ao país.

A Venezuela exibiu seus mísseis portáteis Igla-S, capazes de derrubar aeronaves em baixa altitude. Desde setembro, militares dos EUA atacam embarcações no Caribe e Pacífico, alegando transporte de drogas, resultando na morte de dezenas de pessoas. Washington classifica os grupos como “narcoterroristas”, enquanto críticos apontam “execuções extrajudiciais”, já que os ocupantes não são detidos para processo legal. A dimensão da operação — com destróieres, submarinos, navios anfíbios, caças F-35, helicópteros, aviões de vigilância e milhares de soldados — alimenta especulações de que Donald Trump planeja uma ação para mudar o regime venezuelano. O presidente, porém, envia sinais contraditórios. Já o governo Maduro afirma ter reforçado suas defesas, especialmente na zona aérea de Maiquetía. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 25/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Flamengo ou Palmeiras fechará 2025 com quase meio bilhão em prêmios

Disputas pela Série A e Libertadores também opõe as potências Palmeiras e Flamengo na economia. Rubro-negro tem a chance de faturar o título da elite nesta terça-feira (25/11)

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

A ameaça de Alcolumbre pela rejeição de Messias no STF

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Acaba prazo para recurso de Bolsonaro, e decisão de Moraes para cumprimento da pena é iminente

Ex-presidente está detido na PF após tentar danificar tornozeleira com ferro de solda; caso de Collor é tido como precedente

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

Sem pressa, Alcolumbre sinaliza que sabatina de Jorge Messias ao STF pode demorar

Apesar de aceno positivo ao indicado de Lula, aliados veem tendência de adiar o processo na CCJ

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

MPRS denuncia 4 servidores por fraudes no Presídio de Getúlio Vargas

Servidores são acusados de peculato, tráfico de drogas e prevaricação

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Maus tratos e extorsão a imigrantes. Há 10 militares da GNR e um PSP detidos pela PJ

A investigação foi conduzida pela Unidade Nacional de Contraterrorismo da PJ e é titulada pelo DCIAP. Trata-se de um grupo "estilo mafioso" que coagia a ameaçava imigrantes.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

RADAR JUDICIAL

PLANO DE SAÚDE

A mensalidade de plano de saúde pode sofrer reajuste por faixa etária, conforme o Tema 952 do STJ, desde que não haja percentuais aleatórios ou discriminatórios. Com base nisso, o juiz Paulo Henrique Ribeiro Garcia, da 1ª Vara Cível de Pinheiros, declarou abusivo o aumento aplicado a uma beneficiária e condenou a seguradora a devolver R$ 71,2 mil. A consumidora contestou o reajuste aos 60 anos, pedindo sua nulidade e restituição dos valores. A seguradora alegou previsão contratual e necessidade de equilíbrio econômico. O juiz reconheceu que reajustes por idade são válidos, desde que atendam às normas e não sejam excessivos. Laudo pericial apontou que os percentuais eram, em tese, compatíveis com critérios atuariais e regras da ANS e Susep. Porém, identificou cobrança de reajustes retroativos desde 2004, oriundos de TAC firmado com a seguradora. Diante da irregularidade, a cobrança foi considerada abusiva, com devolução dos valores pagos a mais. O juiz afastou dano moral por falta de comprovação de transtornos graves.

PALESTINOS NO AEROPORTO 

Um casal palestino vindo da Faixa de Gaza está retido há cinco dias na área restrita do Aeroporto de Guarulhos após solicitar refúgio ao chegar de voo do Egito. Yahya Alghefari e Tala Elbarase comunicaram verbalmente o pedido à PF, mas, segundo a defesa, não houve registro, e ambos passaram a ser tratados como passageiros em trânsito, com risco de repatriação. O advogado impetrou habeas corpus, e a juíza plantonista proibiu a retirada compulsória, determinando que permanecessem sob custódia da PF. A defesa afirma que houve descumprimento da Lei 9.474/97 e do princípio do non-refoulement, já que Gaza é área de conflito. O casal apresentou documentos de identidade, certidões e comprovação profissional, além de registrar pedido de refúgio no sistema do Ministério da Justiça. ONGs como Refúgio Brasil e CDHIC confirmaram a situação humanitária e a rede de apoio no país. Mesmo com a liminar, a entrada no Brasil não foi autorizada, deixando-os em um limbo jurídico hospedados em hotel na área restrita. A Qatar Airways paga a hospedagem de Tala; Yahya arca com a própria. A defesa pede liberação condicional para que aguardem o processo em liberdade. A decisão definitiva da Justiça ainda não foi proferida.

PUTIN REJEITA CONTRAPROPOSTA 

O governo de Vladimir Putin rejeitou a contraproposta europeia ao plano de Donald Trump discutida em Genebra, embora admita negociar alguns pontos. Moscou diz que o novo texto ainda é “não construtivo”, enquanto americanos e ucranianos afirmam haver uma “versão refinada” do acordo. O plano original tinha 28 itens favoráveis aos russos e agora teria 19, incluindo expansão das forças ucranianas e possível futura entrada de Kiev na Otan. Teria caído também o reconhecimento das áreas ocupadas. Zelenski afirmou buscar soluções que fortaleçam a Ucrânia, e novos encontros com aliados europeus ocorrerão nesta semana. Trump pressiona por um acordo até quinta (27), mas critica “ingratidão” dos europeus. A linha-dura russa tenta sabotar o texto, e Putin se distancia de sua autoria para evitar desgaste. Enquanto isso, Moscou avança em Zaporíjia, Donetsk e Kharkiv, e drones ucranianos atingem Moscou. A Europa apoia Zelenski, mas a dependência militar dos EUA deixa Kiev vulnerável.

JUÍZA REJEITA ACUSAÇÕES DE TRUMP

A juíza federal Cameron McGown Currie rejeitou nesta segunda-feira (24) as acusações promovidas por Trump contra o ex-diretor do FBI James Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, ao considerar ilegal a nomeação de Lindsey Halligan, escolhida por Donald Trump para conduzir os casos. A decisão representa revés para Trump e para o Departamento de Justiça, que, a seu pedido, buscava processar figuras que o criticaram. Currie afirmou que Halligan “não tinha autoridade legal” para apresentar as acusações, arquivando os casos sem prejuízo, permitindo eventual reapresentação. Halligan, ex-advogada pessoal de Trump e sem experiência como promotora, havia sido nomeada após seu antecessor recusar denúncias por falta de provas. Comey fora acusado de falso testemunho e obstrução, enquanto Letitia James respondia por fraude bancária. Ambos alegaram perseguição política, e democratas classificaram as ações como instrumentalização do sistema de Justiça pelo presidente.

DEVEDOR FIDUCIÁRIO

A responsabilidade do credor fiduciário por despesas condominiais só começa com sua imissão na posse do imóvel, conforme o artigo 27, §8º, da Lei 9.514/97, cabendo ao devedor arcar com os encargos até então. Com esse entendimento, o juiz Aluízio Martins Pereira de Souza, da 5ª Vara Cível de Aparecida de Goiânia, extinguiu a execução movida por um condomínio contra a empresa credora, mantendo-a apenas contra o devedor original. O condomínio cobrava dívida de R$ 119.997,26. A credora alegou que, embora a propriedade tenha sido consolidada em seu nome, não houve conclusão dos leilões nem transferência da posse, pois o devedor ainda ocupa o imóvel. O juiz acolheu a tese, aplicando a regra específica da Lei 9.514/97 e a jurisprudência do STJ e do TJ-GO, segundo as quais a obrigação do credor só surge com a posse direta. Como não há prova da imissão da credora, os débitos permanecem sob responsabilidade do devedor fiduciário.

MÉDICO ENCONTRADO MORTO

O médico psiquiatra Rodrigo Barros Cavalcanti, 35 anos, foi encontrado morto no seu apartamento, na madrugada do sábado, 22. A Polícia Civil informou que o caso é tido como crime, vez que o corpo tinha marcas de violência; todavia, ninguém foi preso. Ele atuava no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil da cidade de Conceição do Jacuípe. Rodrigo tinha registrado um boletim de ocorrência, alegando ameaça de morte.  

Salvador, 24 de novembro de 2025.

Antonio Pessoa Cardoso
Pessoa Cardoso Advogados.

 

VENEZUELA NA LISTA DE TERRORISTAS

Os EUA planejam incluir no dia de hoje, 24, o governo de Nicolás Maduro na lista de organizações terroristas. A medida, segundo Donald Trump, daria ao país poder para atacar alvos ligados ao regime na Venezuela, embora ele afirme não pretender fazê-lo — mas mantém “todas as opções” na mesa. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, diz que a classificação amplia as alternativas de ação. Para Washington, Maduro chefia o chamado Cartel de los Soles, suposta rede criminosa que enviaria drogas da América do Sul aos EUA e que atuaria com a gangue venezuelana Tren de Aragua, já designada como terrorista. Maduro nega tudo, e especialistas contestam a existência do cartel como organização estruturada. A designação deve entrar em vigor nesta segunda, gerando especulações sobre avanço da operação militar dos EUA no Caribe, perto da Venezuela. Desde setembro, oito navios, caças F-35 e o porta-aviões Gerald Ford foram enviados à região. Os EUA afirmam combater o narcotráfico e dizem ter realizado 21 ações que resultaram em 83 mortes.

Pesquisadores afirmam que o Cartel de los Soles não é um grupo hierárquico, mas uma “rede de redes” formada por militares e políticos. Maduro, embora não líder, seria beneficiário de uma “governança criminal híbrida”. O conceito é de Jeremy McDermott, do InSight Crime, para quem o cartel não funciona como Sinaloa ou Medellín. O nome “Cartel de los Soles” surgiu na mídia nos anos 1990 para descrever oficiais da Guarda Nacional envolvidos com drogas, derivando das insígnias militares. O termo passou a englobar atividades ilícitas ligadas ao Estado e foi usado pelo Departamento de Justiça dos EUA na acusação contra Maduro. As origens do suposto cartel antecedem a era Hugo Chávez.

 

ABALO NO SISTEMA ECONÔMICO-FINANCEIRO

O Ministério Público de São Paulo afirma que o ataque cibernético contra a C&M Software, em junho, abalou a segurança do sistema econômico-financeiro nacional e deixou um rombo de R$ 813,79 milhões. Por isso, pede indenização coletiva, em linha com punições aplicadas pelo STF em casos do 8 de janeiro. Os criminosos exploraram uma brecha na comunicação com o Banco Central para movimentar contas de oito instituições financeiras via Pix, após invadir os sistemas da C&M, responsável por enviar ordens ao BC. Relatório aponta mais de 400 transações, algumas de até R$ 10 milhões. As vítimas mais afetadas foram BMP Moneyplus (R$ 541 milhões), Credialiança (R$ 101 milhões) e Banco Industrial do Brasil (R$ 104 milhões). A PF já cumpriu 23 mandados de prisão, e seis suspeitos seguem foragidos. O juiz do caso trata o episódio como o maior ataque cibernético da história do país. A denúncia mostra que a fraude foi planejada para a madrugada de uma segunda-feira, para driblar a vigilância do Pix. Ítalo “Breu” Pireneus e Patrick Zanquetim teriam articulado o esquema; ambos estão presos. O BC foi avisado pela manhã e enfrenta limitações de monitoramento por falta de pagamento de horas extras.

A C&M identificou movimentações suspeitas às 4h30 e desligou o sistema, descobrindo que criminosos enviavam ordens ao BC por meio de um sistema espelhado fraudulento. A principal vítima, BMP, já havia alertado sobre riscos semanas antes. Segundo o MP, Breu buscou Zanquetim em abril; o grupo já havia desviado R$ 50 milhões antes, mas não conseguiu sacar. Zanquetim afirmou conseguir “resumir valores”, usando criptomoedas mediante comissão de 3%. O grupo acessou contas de tesouraria com limites elevados. US$ 37,7 milhões chegaram a carteiras de Zanquetim e de sua noiva; outros US$ 6,5 milhões foram para carteira de Gabriel Faria, sócio dele e hoje foragido. O MP pede indenização de R$ 207 milhões pela tentativa de lavagem. Breu foi preso na Espanha na Operação Magna Fraus. 

COREIA DO NORTE PROVOCA COREIA DO SUL

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul vivem uma “situação muito perigosa”, em que um confronto acidental pode ocorrer a qualquer momento, afirmou o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, segundo a agência Yonhap. Ele disse ser crucial restabelecer diálogo com Pyongyang, que tem rejeitado contatos e instalado cercas de arame farpado ao longo da fronteira — algo não visto desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953). 
Lee afirmou que as relações tornaram-se “hostis e conflituosas” e que, sem confiança mínima, o Norte adota comportamentos “extremos”. As declarações foram feitas durante voo entre a África do Sul, onde participou do G20, e a Turquia.

Seul propôs conversas em 17 de novembro para discutir uma delimitação clara na zona desmilitarizada e evitar confrontos armados, mas Pyongyang não respondeu. Neste ano, houve mais de dez invasões de fronteira por soldados norte-coreanos, algumas levando tropas do Sul a dispararem tiros de advertência. Lee disse que a paz será um esforço de longo prazo, e que, quando estabelecida, seria “melhor” para Coreia do Sul e EUA encerrarem exercícios militares conjuntos — condenados por Pyongyang como ensaios de guerra nuclear. Os EUA mantêm 28,5 mil soldados no país. A Coreia do Norte lançou foguetes uma hora antes da visita do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, à fronteira, e também momentos antes de uma reunião entre Lee e Xi Jinping alguns dias antes. 

TARIFAS PODEM CAUSAR PREJUÍZO DE US$ 3 BILHÕES

As barreiras tarifárias impostas pelos EUA podem custar ao Brasil mais de US$ 3 bilhões por ano em exportações, sobretudo da indústria, segundo estudo da consultoria BMJ para a CNI. Produtos industrializados respondem por 27,3% das perdas. O levantamento aponta prejuízo consolidado de US$ 767,85 milhões entre agosto e outubro de 2025, período em que vigoraram tarifas mais duras. A projeção anual considera a tarifa adicional de 40% sobre aço, alumínio, cobre e madeira, além do risco de novas tarifas decorrentes de investigações da Seção 301, envolvendo desmatamento, propriedade intelectual e sistemas de pagamento como o Pix. A perda mensal consolidada das exportações chega a US$ 255,95 milhões. Mesmo com a ampliação recente de exceções anunciada por Donald Trump, que retirou da tarifa de 40% produtos como café não torrado, carnes, frutas, minério de ferro e petróleo bruto, 74% do valor exportado segue sob regime agravado.

Setores mais afetados incluem máquinas e equipamentos, eletrônicos, aço semimanufaturado, aeronaves não civis, têxteis, calçados e café solúvel. O setor de industrializados diversos lidera as perdas, com US$ 69,77 milhões mensais, seguido por madeira e derivados (US$ 28,68 milhões) e aço (US$ 27,63 milhões). Há ainda perda de competitividade para países como Argentina, Alemanha e Canadá em itens como bulldozers e carregadoras. O estudo aponta que o Brasil tem desvantagem de 25 a 30 pontos percentuais frente a parceiros dos EUA. Sem avanços nas negociações nos próximos seis meses, a perda estrutural pode chegar a US$ 5 bilhões anuais. Com acordo, o país pode recuperar entre US$ 1,4 bilhão e US$ 1,6 bilhão ao ano. 

BOLSONARO ADMITIU VIOLAÇÃO DA TORNOZELEIRA ELETRÔNICA

A semana para o clã bolsonarista começa sob questionamentos. A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, às vésperas do fim do prazo para recorrer da condenação no caso da trama golpista, criou um cenário desfavorável para seus aliados e colocou em dúvida a aprovação de pautas polêmicas no Congresso, como o projeto que anistia condenados pelo 8 de janeiro. No sábado (22/11), o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), ironizou o silêncio da direita após Bolsonaro aparecer em vídeo da PF admitindo ter violado sua tornozeleira eletrônica antes de ser preso por danificar o aparelho. Para o petista, projetos bolsonaristas perderam força, pois “o ato do ex-presidente os desmoralizou completamente”. Ele afirmou que votar o PL da Anistia seria interferência no Judiciário e apresentou representação ao STF para ampliar a investigação sobre tentativa de fuga aos filhos de Bolsonaro.

O vice-líder da oposição, Domingos Sávio (PL-MG), rebateu dizendo que a “perseguição” ao ex-presidente aumenta a disposição da direita para lutar no Congresso. Afirmou ainda que Bolsonaro era vigiado 24h por policiais, o que tornaria impossível qualquer fuga. Pressionado, o relator do projeto, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), pediu ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que paute apenas o trecho sobre dosimetria das penas, sem anistia ampla. Motta não se pronunciou até o fechamento da edição, mas já afirmou que a Câmara decidirá conforme a maioria dos líderes. Para o cientista político Rubens Figueiredo, o país vive tensão permanente, que deve se intensificar com o avanço do calendário eleitoral. Segundo ele, a prisão de um líder da direita não contribui para um ambiente pacificado. 

MANCHETES DE ALGUNS JORNAIS DE HOJE, 24/11/2025

CORREIO BRAZILIENSE - BRASÍLIA/DF

Israel bombardeia Beirute e mata o chefe militar do Hezbollah

Mísseis eliminam Haitham Ali Tabatabai, chefe do Estado-Maior do movimento fundamentalista xiita libanês, no primeiro ataque a Beirute em meses. Testemunhas relatam tensão ao Correio. Premiê Netanyahu exige desarmamento do grupo

O GLOBO - RIO DE JANEIRO/RJ

Curiosidade, vergonha e alucinação: as versões sobre a violação de tornozeleira eletrônica por Bolsonaro

Ex-presidente de violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda

FOLHA DE SÃO PAULO - SÃO PAULO/SP

Tarifas dos EUA causam perda de US$ 3 bilhões ao Brasil e ameaçam competitividade, diz estudo

Setores de alto valor agregado e bens de capital são os mais atingidos, mesmo após isenções Próximas negociações podem recuperar US$ 1,6 bilhão ou agravar perdas estruturais na balança comercial

TRIBUNA DA BAHIA - SALVADOR/BA

BC segurou liquidação no Master para evitar ‘risco do Ipiranga’ e quebra do BRB

O BRB ainda é motivo de atenção no sistema financeiro

CORREIO DO POVO - PORTO ALEGRE/RS

Enem 2025: PF cumpre mandado de busca e apreensão no Ceará para investigar suspeita de fraude

Inep anulou três questões do exame

DIÁRIO DE NOTÍCIAS - LISBOA/PT 

Uma em cada seis câmaras municipais vão ficar com executivos minoritários

Menos de um terço das 75 autarquias sem maioria absoluta deram pelouros a eleitos pela oposição. "Mais vale só" aplica-se a Lisboa e a câmaras onde presidente e vice-presidente não têm nenhum aliado.